Copa do Mundo – Destaques sobre pontos fracos da economia brasileira

13.06.2014
 
O baixo crescimento, o aumento da insolvência e da inflação até 2020 poderá levar à instabilidade social e moldar a agenda política do Brasil

SAO PAULO – 13 de JUNHO, 2014 – A Copa do Mundo 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 não tem e não terão um grande impacto positivo sobre a economia do Brasil, de acordo com a Euler Hermes, líder mundial como provedora de seguro de crédito comercial. Em sua mais recente perspectiva de pesquisa econômica, a Euler Hermes informa que os dois megaeventos trarão mais inflação do que o crescimento para o Brasil. A falta de infra-estrutura, a crônica falta de investimento, o protecionismo, os altos níveis de tributação e um ambiente de negócios complexo impede o Brasil de se beneficiar plenamente da atividade adicional gerada por esses eventos.

 
Os preparativos para sediar a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos não impediram uma forte desaceleração da economia do país durante os últimos três anos, e esta tendência não deve mudar. Em 2014, a Euler Hermes estima que o impacto positivo dos megaeventos sobre o crescimento real do PIB será limitada a 0,2 pontos percentuais na melhor das hipóteses. No entanto, o impacto sobre a inflação pode chegar a 0,5 pontos percentuais em 2014. Além disso, os dois eventos são esperados para adicionar cerca de 2,5 pontos percentuais no total de aumentos de preços ao consumidor ao longo do período 2009-2016. O impacto sobre a atividade deverá diminuir gradualmente após 2014; o efeitos sobre os preços ao consumidor podem permanecer até 2020. O aumento da inflação já está causando um mal-estar social, o que poderia resultar em profundas reformas estruturais e uma nova agenda política.
 
"Embora a pesquisa sobre megaeventos demonstre resultados positivos no curto prazo para os efeitos sobre a atividade real, muitas vezes ocorre um resultado insignificante ou mesmo negativo no longo prazo – e a economia do Brasil apresenta problemas específicos", disse Ludovic Subran, economista-chefe da Euler Hermes. "Além de até agora não ter sido possível o Brasil colher os benefícios econômicos completos da Copa do Mundo, isto levou a uma inflação significativa que está impactando a vida cotidiana dos brasileiros."
 
Além do aumento da inflação, outros efeitos esperados causados pela Copa do Mundo Brasil incluem:
 

1. Baixo impacto no PIB e crescimento do investimento

 
O investimento total na infra-estrutura para a Copa do Mundo poderia chegar R$ 26 bilhões (0,5% do PIB) entre 2009 e 2014, enquanto os gastos para os Jogos Olímpicos deverá chegar a cerca de R$ 12 bilhões (0,2% do PIB) entre 2010 e 2016. São valores pequenos relativos à economia do país. De 2009 a 2013, a Euler Hermes estima só foram adicionados investimentos de 0,5 a 0,8 pontos percentuais - em média, por ano, para o crescimento real do investimento, e entre 0,1 a 0.15 pontos percentuais por ano para um crescimento real do PIB. O impacto deverá diminuir gradualmente após 2014.
 

2.   Sem impacto de longo prazo sobre o emprego

 
As autoridades esperam que a Copa do Mundo gere cerca de 700 mil postos de trabalho até 2014. Com uma força de trabalho brasileira estimada em mais de 100 milhões, o impacto será pequeno, especialmente no longo prazo. Muitos novos empregos do setor de construção vão desaparecer assim que projetos de forem concluídos; emprego no setor de turismo será predominantemente de curto prazo e de baixa qualificação.
 

3. As insolvências devem aumentar apesar dos megaeventos

 
As insolvências empresariais têm crescido desde 2011, como conseqüência da desaceleração econômica mais acentuada do que o esperado. Esta tendência deve continuar devido ao enfraquecimento da demadna interna, um aperto da política monetária e taxas de juros bancários. A Euler Hermes prevê que as insolvências empresariais devem aumentar em 9% em 2014 e em 3% em 2015, apesar do aumento na atividade de infra-estrutura.
 
Embora estas previsões destaquem algumas fraquezas econômicas inerentes do Brasil, nem todas as notícias são negativas. O relatório prevê que não haverá bolha imobiliária no Brasil devido à organização de mega eventos. Além disso, o impacto dos acontecimentos sobre as finanças públicas será limitado e não representa uma grande ameaça para os números fiscais; A Euler Hermes estima que só será adicionado 1 ponto percentual para o déficit fiscal de 2009 a 2016.
 
"À medida que a agitação social continua a crescer em resposta ao aumento da inflação, não seria surpreendente ver o calendário desportivo moldar o calendário político durante as eleições presidenciais de outubro", disse Subran. "No geral, as reformas estruturais profundas podem ser o verdadeiro mega evento para a economia brasileira."